Suponha o leitor que acaba de descobrir que terá uma vida curta. Tem vários seguros de vida mas precisa do dinheiro agora. Pode então nomear algumas pessoas como beneficiários, com a condição de lhe pagarem. Como a indemnização estará próxima, elas pagarão bem o benefício que lhes oferece. Mas a venda dos seguros de vida fará com que os compradores fiquem atentos à sua saúde: se um médico certificar que está mais doente, os seguros valerão mais, e mais gente se dispõe a comprá-los. A revenda começa então a ser um negócio. Quanto mais doente estiver, maiores os lucros de quem aposta na sua morte rápida. Imagina agora o que lhe pode acontecer?
Se este cenário é ficção, ele existe com os seguros sobre a vida económica de empresas e nações, os CDS (Credit Default Swaps). Compram-se e vendem-se num mercado desregulado e deixaram de cumprir os objectivos para que foram criados. Várias vozes, incluindo as de Obama, Alan Greenspan, Warren Buffet e Myron Scholes, que participou na organização dos swaps, avisaram para o perigo que representam e clamam por regulação. George Soros tem demonstrado que o seu valor, agravado pela especulação, já não reflecte a saúde das empresas e nações, sendo antes factor de destruição que pode gerar novas crises.
Da influência dos CDSs na crise actual, já ninguém se lembra. Estes produtos tóxicos estão de novo a enriquecer os ex-falidos Bancos de Investimento e a destruir a saúde das nações. Contam com a ajuda das agências de rating que, para já, nos diagnosticaram uma "morte lenta".
J.L.Pio Abreu
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Recomeça….
Recomeça….
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…
Miguel Torga
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Quando quiseres vamos a esse vinho que te espera há muito.
Caro Valupi, neste último semestre não fui de grande valia.
Como muito bem parodias o "Eng." não te paga para tanto, mas onde pára o nosso companheiro "Z" ?
O melhor que me saiu acerca de ti meu caro. (em resposta ao Ibn )
"O que me move é ele (Valupi) não ser exclusivo, que é o que mais se vê por aí. Também estou convencido que o Valupi testa bem a “competência” alheia, as próprias desbarata-as aqui, (no Aspirina) não vem mal ao mundo. Bem pelo contrário. Julgo eu. Será um amor/ódio à esquerda “fandanga” que o coloca ao lado do J. Sócrates"?
O que se seguiu na mesma missiva era de alguma forma uma constatação/desabafo.
"O problema deste “mundo” é o de ninguém querer potenciar os seus dons, sociedade de auto-castrados, desnatados, conformistas e dependentes sem determinação própria. São altruístas no voto, votam com gosto se sabem que os amigos votam no mesmo.
Deixei de ter próximos, aprendi com o Júlio, o César, aquele que ficou um passador por ter gente muito próxima".
Meu Caro, um bom Ano Novo para ti e todos os teus.
A guerra continua, nem te passa pela "cabecinha" o que vai pela FDL.
Com a minha idade já me é permitido adivinhar, só pelo cheiro, o "petisco" que está ao lume em qualquer albergue. Pelo que vejo erras o alvo com os "imbecis e ranhosos".
Quando quiseres vamos a esse vinho que te espera há muito.
Como muito bem parodias o "Eng." não te paga para tanto, mas onde pára o nosso companheiro "Z" ?
O melhor que me saiu acerca de ti meu caro. (em resposta ao Ibn )
"O que me move é ele (Valupi) não ser exclusivo, que é o que mais se vê por aí. Também estou convencido que o Valupi testa bem a “competência” alheia, as próprias desbarata-as aqui, (no Aspirina) não vem mal ao mundo. Bem pelo contrário. Julgo eu. Será um amor/ódio à esquerda “fandanga” que o coloca ao lado do J. Sócrates"?
O que se seguiu na mesma missiva era de alguma forma uma constatação/desabafo.
"O problema deste “mundo” é o de ninguém querer potenciar os seus dons, sociedade de auto-castrados, desnatados, conformistas e dependentes sem determinação própria. São altruístas no voto, votam com gosto se sabem que os amigos votam no mesmo.
Deixei de ter próximos, aprendi com o Júlio, o César, aquele que ficou um passador por ter gente muito próxima".
Meu Caro, um bom Ano Novo para ti e todos os teus.
A guerra continua, nem te passa pela "cabecinha" o que vai pela FDL.
Com a minha idade já me é permitido adivinhar, só pelo cheiro, o "petisco" que está ao lume em qualquer albergue. Pelo que vejo erras o alvo com os "imbecis e ranhosos".
Quando quiseres vamos a esse vinho que te espera há muito.
O último recurso
Por Pedro Lomba
No sábado passado Vasco Pulido Valente escreveu na sua coluna que o nosso semipresidencialismo não funciona. Isto porque o conflito Sócrates-Presidente, que tanto agita a imprensa, está para durar. E Pulido Valente sugeria que, enquanto não gerar um vencedor e derrotado - ou seja, a sua própria implosão -, a guerrilha irá persistir. Com a agravante de que Sócrates tem as presidenciais à porta para enfrentar Cavaco; e o Presidente tem a governação diária e a exígua credibilidade do primeiro-ministro para aparecer como oposição e a única autoridade confiável do sistema.
Ora, eu não consigo dizer com certeza se este "sistema híbrido" como é, de facto, o semipresidencialismo, funciona ou não. Mas sei que uma coisa é perguntarmos se o semipresidencialismo tem funcionado para o que se esperava; outra é se, face ao que temos aprendido nestes 33 anos, poderá continuar a funcionar no futuro. Não há nenhuma razão para não respondermos sim à primeira pergunta e não à segunda. Tudo depende.
Depende da lógica particular que está na origem do nosso semipresidencialismo; e depende, claro, de percebermos se aquela lógica se mantém. Vasco Pulido Valente lembrava uma causa histórica decisiva. O semipresidencialismo nasceu entre nós em parte para domesticar os militares. Em 1976 o governo dependia politicamente do Presidente da República e do Conselho da Revolução, que era um órgão de soberania autónomo e com um poder de veto. O facto de o primeiro Presidente ser um militar eleito, Eanes, assegurava que as Forças Armadas, institucionalizadas no Conselho da Revolução, responderiam perante um órgão político, contribuindo para as enfileirar dentro do regime.
Como é sabido, este cenário mudou com as revisões constitucionais. Os partidos aplicaram-se em reaver o seu papel e o Presidente acabou mais diminuído. Mas convém dizer que o semipresidencialismo não acabou aí, pela simples razão de que não nasceu só por isso.
Desde o início que a legitimidade do Presidente da República advém da sua eleição por sufrágio directo e universal. Quando os constituintes de 1976 instituíram a eleição directa, tinham na memória a eleição fracassada do general Humberto Delgado em 1959. Recordavam-se que Delgado ameaçara Salazar com a frase "Obviamente demito-o" e sabiam como é que a ditadura reagiu à afronta: suprimindo a eleição directa do Presidente.
O Presidente que esses constituintes ajudaram a delinear e que ainda hoje permanece visava por isso um objectivo específico: dividir e arbitrar o exercício do poder e, pormenor essencial, limitar o poder de um governo que possui competências políticas e legislativas incomparáveis na Europa.
Em 1960, o Governo de Salazar tinha poder. Em 2009, em inúmeros sentidos o Governo de Sócrates detém ainda mais poder. Não prende, mas tem muitas formas de silenciar. Não mata, mas se quiser persegue. O que tem para distribuir arbitrariamente pelos seus "amigos políticos" são recursos que o paroquial Salazar desconhecia. Essa é a contradição mais impressionante deste regime. Como é que nos libertámos dum Estado obscuro e governamentalizado e fomos gerando outro, em certos aspectos, mais obscuro e governamentalizado?
Enquanto o governo for tão poderoso como é, enquanto o primeiro-ministro exercer um controlo único e dado a toda a espécie de abusos sobre o Estado e a sociedade, enquanto os partidos gerarem políticos sem credenciais, prescindir do estatuto do Presidente da República e assim do semipresidencialismo pode implicar um suicídio. Dificilmente podemos prescindir da última instância de recurso que o regime nos concede. Quem pretender a sua reforma tem de repensar o regime e a concentração de poder no governo, a causa mais próxima do "sistema híbrido" que temos. Jurista
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Ano Novo de 2010.
Viva o ano que está a chegar, o número até é simpático, agradável à vista e de aspecto elegante. Veremos. No entanto não seria justo o “abandono” do ano velho sem um pequeno balanço do “paratras-mente”, do que de mais significativo aconteceu na política, e para alguns no peso da carteira, à rapaziada cá do burgo.
Há quem afirme que: o povo é sábio quando é chamado a decidir em liberdade, direi em abono desta tese que também se poderá afirmar que escolhe sempre “do mal, o menos” ou ainda “mais vale cadeia que hospital”, etc. Um cem numero de tiradas semelhantes servem para confirmar o que se pretende dizer em qualquer sentido que seja.
A verdade é que nem é muito complicado verificar a validade e acerto de quem pensou “para pior, basta assim”. Como foi possível ao povo “sentir” o futuro no momento do voto?
O recente passado pós eleitoral veio confirmar que o “povo analfabeto” deu uma valente lição de análise política. Poderemos sempre dizer que foi o “dedinho que avisou”.
O que o futuro promete? Antes do povo fazer o seu julgamento arrisco afirmar que o melhor que ai vem será sem duvida o “comboio dos duros”, promessa do J.O. que, estou seguro, se cumprira. No entanto, justiça seja feita, devia ser mais adequado “o comboio do poder”, do passado, do futuro, do simbólico e não só.
O verdadeiro, o legitimo poder esta onde deve estar, e “todos sabem bem do que falo”. Feliz Ano Novo para todos.
P.S. uma boa promessa para o novo ano: a nossa camara municipal vai “aderir” à criação de lugares de director municipal. Isto é seguramente mais um acto de gestão em nome do povo e para o povo. Obrigado. Aceitam-se apostas para os felizes contemplados. Desde já se informa que em termos de financeiros e de mordomias estão equiparados a director-geral da função pública, verdadeiros vereadores não eleitos. Votos de que sejam competentes e muito felizes.
Há quem afirme que: o povo é sábio quando é chamado a decidir em liberdade, direi em abono desta tese que também se poderá afirmar que escolhe sempre “do mal, o menos” ou ainda “mais vale cadeia que hospital”, etc. Um cem numero de tiradas semelhantes servem para confirmar o que se pretende dizer em qualquer sentido que seja.
A verdade é que nem é muito complicado verificar a validade e acerto de quem pensou “para pior, basta assim”. Como foi possível ao povo “sentir” o futuro no momento do voto?
O recente passado pós eleitoral veio confirmar que o “povo analfabeto” deu uma valente lição de análise política. Poderemos sempre dizer que foi o “dedinho que avisou”.
O que o futuro promete? Antes do povo fazer o seu julgamento arrisco afirmar que o melhor que ai vem será sem duvida o “comboio dos duros”, promessa do J.O. que, estou seguro, se cumprira. No entanto, justiça seja feita, devia ser mais adequado “o comboio do poder”, do passado, do futuro, do simbólico e não só.
O verdadeiro, o legitimo poder esta onde deve estar, e “todos sabem bem do que falo”. Feliz Ano Novo para todos.
P.S. uma boa promessa para o novo ano: a nossa camara municipal vai “aderir” à criação de lugares de director municipal. Isto é seguramente mais um acto de gestão em nome do povo e para o povo. Obrigado. Aceitam-se apostas para os felizes contemplados. Desde já se informa que em termos de financeiros e de mordomias estão equiparados a director-geral da função pública, verdadeiros vereadores não eleitos. Votos de que sejam competentes e muito felizes.
sábado, 26 de dezembro de 2009
Boas Festas
"Acreditamos saber que existe uma única saída mas não sabemos onde está. Não havendo ninguém do lado de fora que nos possa indicá-la, devemos procurá-la por nós mesmos. O que o labirinto ensina não é onde está a saída, mas quais os caminhos que levam a lado algum”
Norberto Bobbio faleceu em 9 de Janeiro de 2004, em Turim, aos 94 anos de idade
Norberto Bobbio faleceu em 9 de Janeiro de 2004, em Turim, aos 94 anos de idade
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